RESPOSTA DIRETA

IBS e CBS são os tributos do novo IVA dual brasileiro: a CBS (federal) substitui PIS/Cofins e o IBS (estados/municípios) substitui ICMS/ISS, com crédito amplo e cobrança no destino. 2026 é o ano-teste (CBS 0,9% + IBS 0,1%, com dispensa de recolhimento para quem emite corretamente) e a implantação integral vem em 2033: a década do contador consultivo começou.

Não é exagero: IBS e CBS são a maior mudança do sistema tributário brasileiro em décadas, e ela já começou. Desde 2026, os documentos fiscais carregam os novos campos, os sistemas estão em calibragem e cada cliente do seu escritório tem a mesma dúvida silenciosa: "meu contador domina isso?"

Este guia responde o que o contador precisa dominar agora: o desenho do novo modelo, o ano-teste, o crédito amplo, o cronograma completo e o plano de ação do escritório.

O que são IBS e CBS e o que eles substituem?

Novo tributoEsferaSubstituiNatureza
CBS, Contribuição sobre Bens e ServiçosFederalPIS e CofinsIVA sobre consumo
IBS, Imposto sobre Bens e ServiçosEstados e municípios (Comitê Gestor)ICMS e ISSIVA sobre consumo
Imposto SeletivoFederal, (novo)Extrafiscal, sobre bens nocivos

A lógica muda de raiz: em vez de cinco tributos com regras, bases e guerras fiscais próprias, um IVA dual com legislação uniforme, crédito amplo (tudo que a empresa compra para a atividade gera crédito) e cobrança no destino (o tributo pertence a onde o bem ou serviço é consumido). Criados pela EC 132/2023 e regulamentados pela LC 214/2025.

Como funciona o ano-teste de 2026?

2026 é calibragem, não arrecadação: alíquota-teste de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, com destaque obrigatório nos documentos fiscais, e, pela orientação da Receita Federal, o contribuinte que emitir os documentos corretamente conforme as normas fica dispensado do recolhimento no período. Traduzindo: o fisco está testando os sistemas do país inteiro, e o preço de errar agora é baixo. Em 2027, quando a CBS vira cobrança plena, o preço de continuar errando muda de patamar.

DICA DO MAISSE

Trate 2026 como o simulado que ele é: emita, destaque, aponte inconsistências e corrija processos dos clientes AGORA, enquanto erro não custa tributo. O escritório que usar o ano-teste como laboratório entra em 2027 com os clientes redondos, e com autoridade para cobrar por isso.

O que muda com o crédito amplo (não cumulatividade plena)?

No modelo atual, o crédito é um labirinto de exceções; no novo, a regra é simples e poderosa: praticamente tudo que a empresa adquire para a atividade gera crédito. Isso redesenha cadeias inteiras: o custo tributário embutido em cada etapa cai, a formação de preço muda, e a decisão de comprar de fornecedor que gera crédito integral vira estratégia. Para o contador, nasce um serviço inteiro: mapear créditos, revisar cadeia de fornecedores e recalcular precificação dos clientes sob a nova lógica.

Qual o cronograma completo até 2033?

A linha do tempo oficial da transição

  • 2026: Ano-teste: CBS 0,9% + IBS 0,1% destacados; dispensa de recolhimento para quem emite corretamente
  • 2027: CBS plena e extinção de PIS/Cofins; Imposto Seletivo entra em vigor
  • 2029 a 2032: Transição gradual do IBS, com redução progressiva de ICMS e ISS
  • 2033: Modelo integral: ICMS e ISS extintos, IVA dual em pleno funcionamento

Sete anos de convivência entre dois sistemas, apurações em paralelo, obrigações dos dois mundos e clientes precisando entender os dois. É exatamente essa sobreposição que transforma a transição no maior programa de trabalho consultivo da história da contabilidade brasileira.

Como IBS e CBS impactam cada regime e setor?

ATENÇÃO

Cuidado com generalizações de manchete ("imposto vai subir", "vai cair"): o impacto real depende de setor, regime, cadeia de fornecedores e alíquota final, que ainda será calibrada com os dados do período de teste. A resposta honesta para cada cliente é uma simulação individual, não um palpite de rede social.

O que muda nos documentos fiscais e obrigações?

A mudança já é operacional: os documentos fiscais eletrônicos ganharam campos próprios de IBS e CBS, com preenchimento obrigatório conforme o calendário do Comitê Gestor do IBS e da Receita Federal, e a emissão correta é justamente a condição da dispensa de recolhimento no ano-teste. Na prática, o escritório precisa auditar agora: ERP e emissores dos clientes atualizados, cadastros de produtos e serviços revisados (classificações e alíquotas), e rotina de conferência dos novos campos nas notas emitidas e recebidas.

Qual o papel do contador nessa transição?

O de tradutor e piloto. O empresário não vai ler a LC 214: ele vai perguntar "quanto muda para mim e o que eu faço?". Quem responde com simulação, plano e acompanhamento vira indispensável; quem responder "ainda estamos estudando" em 2027 vai assistir o cliente migrar para quem estudou. A transição é o momento em que a contabilidade consultiva deixa de ser tendência de palestra e vira demanda concreta com orçamento aprovado.

Qual o plano de ação do escritório para os próximos meses?

O plano IBS/CBS do escritório

  • Auditar a emissão de TODOS os clientes: campos de IBS/CBS saindo corretamente
  • Simular a carga do novo modelo por cliente (setor, regime, cadeia de créditos)
  • Revisar precificação e margem dos clientes à luz do crédito amplo
  • Mapear clientes do Simples com vendas B2B para a análise do recolhimento por fora
  • Empacotar tudo isso como serviço consultivo formal, com escopo e honorário próprios

Por que IBS e CBS são a maior oportunidade da década?

Porque toda empresa do país precisará ser reorientada, e a maioria dos escritórios vai reagir em cima da hora. Quem dominar o tema agora captura as duas pontas: retém a carteira com autoridade e capta os clientes órfãos de contadores reativos. Dentro da ordem que o Anderson Maisse ensina , Vendas, Gestão, Tecnologia e Crescimento Acelerado , , o IBS/CBS é o conteúdo perfeito do pilar Vendas em 2026: a dúvida que todo empresário tem, respondida por quem se preparou para ela.

PERGUNTAS FREQUENTES

O que são IBS e CBS?+

São os dois tributos do novo modelo de consumo criado pela Reforma Tributária (EC 132/2023, regulamentada pela LC 214/2025): a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, federal) substitui PIS e Cofins; o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, de estados e municípios) substitui ICMS e ISS. Juntos formam um IVA dual, com crédito amplo e cobrança no destino.

Como funciona o teste do IBS e da CBS em 2026?+

2026 é o ano de calibragem: alíquota-teste de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, com destaque obrigatório nos documentos fiscais. Segundo orientação da Receita Federal, quem emite os documentos corretamente conforme as normas fica dispensado do recolhimento no período, o objetivo é testar sistemas e apurações, não arrecadar.

Quando o ICMS, ISS, PIS e Cofins deixam de existir?+

Pelo cronograma oficial: PIS/Cofins são extintos com a CBS plena em 2027; ICMS e ISS fazem transição gradual entre 2029 e 2032, com o modelo integralmente implantado em 2033. Até lá, os sistemas antigo e novo convivem, e é essa convivência que mais exige contador preparado.

O Simples Nacional acaba com o IBS e a CBS?+

Não, o Simples é preservado pela EC 132/2023. Mas surge decisão estratégica nova: a empresa do Simples poderá avaliar recolher IBS/CBS 'por fora' do regime para gerar crédito integral aos clientes B2B. É análise caso a caso, e quem a conduz é o contador.

O que o contador deve fazer agora sobre IBS e CBS?+

Três frentes imediatas: adequar a emissão dos documentos fiscais dos clientes às novas regras (os campos de IBS/CBS já são obrigatórios), simular o impacto do novo modelo na carga e nos preços de cada cliente, e transformar essa orientação em serviço consultivo formal, a transição é trabalho novo, não cortesia.

Este conteúdo tem caráter educacional e informativo, voltado a contadores e donos de escritórios contábeis. Não substitui a análise individual de cada caso nem consultoria profissional específica. Legislações e normas citadas podem sofrer alterações; consulte sempre as fontes oficiais vigentes.